O Romantismo - Segundo Bimestre 2010.
ENSINO MÉDIO – (PROF. AMAURI O. SILVA)

O Romantismo caracteriza-se por seu espírito revolucionário. Na realidade, o movimento artístico romântico se fez como reflexo e conseqüência de uma nova concepção de mundo. As revoluções que marcaram o período que antecedeu seu surgimento – em especial a Revolução Industrial e a Revolução Francesa – estabeleceram profundas alterações na forma de pensar as relações humanas. A industrialização, o crescimento da população urbana, a predominância da burguesia acompanhada da decadência da aristocracia nas classes dominantes fizeram surgir um novo gosto artístico, não mais marcado pelos modelos clássicos até então norteadores do conceito de beleza que movia o homem ocidental em sua busca de conhecimento. Em conseqüência também dessa urbanização, surgiu um novo público leitor, diferente da aristocracia dos salões que até então se impunha.

Como estilo de época na literatura ocidental, costuma o Romantismo ser demarcado entre a segunda metade de século XVIII e a primeira metade do século XIX. Consideram-se como locais de suas primeiras manifestações a Alemanha e a Inglaterra. Tornou-se uma realidade em todos os países do ocidente e, ressalvadas as diferenças regionais, manteve um certo número de características particularizantes capazes de apresentá-lo como um movimento universal.

Dentre essas características, destaque-se a principal delas – a liberdade de criação –, responsável por sua riqueza temática e também pela renovação das formas literárias. No rastro da liberdade de escolhas para expressão dessa nova maneira de ser e de olhar, estabeleceu-se a ausência de preferências por qualquer forma métrica ou poética, o que levou a arte literária a uma renovação formal.
A temática central do poeta romântico fez-se em torno do EU e das emoções deste EU. A valorização excessiva dos sentimentos desencadeou não apenas a valorização de aspectos emotivos, mas estendeu-se à expressão de estados de exuberância de sentimentos e à revelação de um subjetivismo mórbido e autodestrutivo.

CARACTERÍSTICAS DO ROMANTISMO

Grande é o número de características que marcaram o movimento romântico, características essas que, centradas sempre na valorização do eu e da liberdade, vão-se entrelaçando, umas atadas às outras, umas desencadeando outras e formando um amplo painel de traços reveladores.
Para aqui discuti-las, vamos seguir os aspectos considerados os mais significativos:

1. Contraste entre os ideais divulgados e a limitação imposta pela realidade vivida. O universo conhecido se alarga, o Século das Luzes deixa um rastro de anseios libertários, desloca-se o centro do poder; a dependência social e econômica, a inconsciência, o desconhecimento estabelecem para a imensa maioria, no entanto, uma existência marcada por limitações de toda ordem.
2. Imaginação criadora. Num movimento de escapismo, o artista romântico evade-se para os universos criados em sua imaginação, ambientados no passado ou no futuro idealizados, em terras distantes envoltas na magia e no exotismo, nos ideais libertários alimentados nas figuras dos heróis. A fantasia leva os românticos a criar tanto mundos de beleza que fascinam a sensibilidade, como universos em que a extrema emoção se realiza no belo associado ao terrificante (vejam-se as figuras do Drácula, do Frankstein, do Corcunda de Notre Dame e a ambiência que os rodeia).
3. Subjetivismo. É o mundo pessoal, interior, os sentimentos do autor que se fazem o espaço central da criação. Com plena liberdade de criar, o artista romântico não se acanha em expor suas emoções pessoais, em fazer delas a temática sempre retomada em sua obra.
4. Evasão. O escapismo romântico manifesta-se tanto nos processos de idealização da realidade circundante como na fuga para mundos imaginários. Quando acompanhado de desesperança, sucumbe ao chamado da morte, companheira desejada por muitos e tema recorrente em grande número de poetas.
5. Senso de mistério. A valorização do mistério, do mágico, do maravilhoso acompanha a criação romântica. É também esse senso de mistério que leva grande número de autores românticos a buscar o sobrenatural e o terror.
6. Consciência da solidão. Conseqüência do exacerbado subjetivismo, que dá ao autor romântico um sentimento de inadequação e o leva a sentir-se deslocado no mundo real e, muitas vezes, a buscar refúgio no próprio eu.
7. Reformismo. Esta característica manifesta-se na participação de autores românticos em movimentos contestadores e libertários, com grande influência em sua produção, como foi a campanha abolicionista abraçada por Castro Alves e o movimento republicano assumido por Sílvio Romero.
8. Sonho. Revela-se na idealização do mundo, na busca por verdades diferentes daquelas conhecidas, na revelação de anseios.
9. Fé. É a fé que conduz o movimento: crença na própria verdade, crença na justiça procurada, crença nos sentimentos revelados, crença nos ideais perseguidos, crença que se revela ainda em diferentes manifestações de religiosidade cristã – fé. Não se pode esquecer a profunda influência do medievalismo na construção do mundo romântico, dele fazendo parte a religiosidade cristã.
10. Ilogismo. Manifestações emocionais que se opõem e contradizem.
11. Culto da natureza. A natureza adquire especial significado no mundo romântico. Testemunha e companheira das almas sensíveis, é, também, refúgio, proteção, mãe acolhedora. Costuma-se afirmar que, para os românticos, a natureza foi também personagem, com papel ativo na trama.
12. Retorno ao passado. Tal retorno deu origem a diversas manifestações: saudosismo voltado para a infância, o passado individual; medievalismo e indianismo, na busca pelas raízes históricas, as origens que dignificam a pátria.
13. Gosto do pitoresco, do exótico. Valorização de terras ainda não exploradas, do mundo oriental, de países distantes.
14. Exagero. Exagero nas emoções, nos sentimentos, nas figuras do herói e do vilão, na visão maniqueísta a dividir o bem e o mal, exagero que se manifesta nas características já listadas.
15. Liberdade criadora. Valorização do gênio criador e renovador do artista, colocado acima de qualquer regra.
16. Sentimentalismo. A poesia do eu, do amor, da paixão. O amor, mais que qualquer outro sentimento, é o estado de fruição estética que se manifesta em extremos de exaltação ou de cinismo e libertinagem, mas sempre o amor.
17. Ânsia de glóPria. O artista quer ver-se reconhecido e admirado.
18. Importância da paisagem. A paisagem é tecida de acordo com as emoções dos personagens e a temática das obras literárias.
19. Gosto pelas ruínas. A natureza sobrepõe-se à obra construída.
20. Gosto pelo noturno. Em harmonia com a atmosfera de mistério, tão próxima do gosto de todos os românticos.
21. Idealização da mulher. Anjo ou prostituta, a figura da mulher é sempre idealizada.
22. Função sacralizadora da arte. O poeta sente-se como guia da humanidade e vê na arte uma função redentora.
Acrescentem-se a essas características os novos elementos estilísticos introduzidos na arte literária: a valorização do romance em suas muitas variantes; a liberdade no uso do ritmo e da métrica; a confusão dos gêneros, dando lugar à criação de novas formas poéticas; a renovação do teatro.
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